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Gostaria que reescrevesse um texto. Citasse as fontes. E o deixasse mais tranquilo de ser entendido por leigos. Queria que o texto fosse escrito conforme as melhores bases para o SEO (Search Engine Optimization). Coloque em negrito o que for de relevância ara o SEO.
Em português
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(melhorar issso)
*A Relação Entre a Respiração e os Sintomas em Pacientes com Câncer*
Pacientes com câncer muitas vezes enfrentam sintomas agudos e crônicos como dor, fadiga, insônia, ansiedade, depressão e dificuldades para tomar decisões. Quando esses sintomas ocorrem juntos, eles são chamados de "cluster de sintomas" e estão associados a uma piora na qualidade de vida. Um sistema que influencia tanto o câncer quanto esse conjunto de sintomas é o sistema nervoso autônomo, que controla funções automáticas do corpo (respiração, batimentos cardíacos).
O sistema nervoso autônomo é composto por dois tipos de nervos: os nervos simpáticos e os parassimpáticos. O *nervo vago* é o principal nervo do sistema parassimpático e desempenha um papel crucial em várias funções do corpo, como a respiração, o ritmo cardíaco, a digestão, além de influenciar o humor e a resposta imunológica. A atividade do nervo vago também ajuda a reduzir inflamações, o estresse oxidativo e a atividade simpática.
Em resumo, a estimulação do nervo vago pode ativar o sistema parassimpático, o que pode levar a uma redução geral dos sintomas em pacientes com câncer. Uma forma simples e acessível de estimular o nervo vago é através da respiração lenta e ritmada. Por isso esse tipo de intervenção e o seu efeito (exercícios respiratórios)(seguindo o protocolo de Lehrer) nos sintomas experimentados por pacientes com câncer.
Durante um teste de seis semanas, pacientes com câncer foram avaliados no início (semana 1) e no final do estudo (semana 6), usando questionários que avaliavam esses sintomas que falamos antes no texto e uma medida objetiva de variabilidade da frequência cardíaca (PPG Stressflow®). Na primeira sessão, todos os participantes receberão instruções para realizar os exercícios respiratórios duas vezes ao dia, conforme descrito por Lehrer, usando um aplicativo de respiração chamado HeartMath®. Durante essas seis semanas, todos os pacientes receberam uma ligação de acompanhamento na semana 2 e na semana 4. A coleta de dados ainda está em andamento, e os resultados ainda estão pendentes.
Pesquisadores da Universidade Odisee de Ciências Aplicadas (Dr. Julie Vanderlinden e Drs. Liza Much) estão trabalhando em conjunto com estudantes de mestrado da Berekuyl Academy e VUB durante o estudo. Para continuar o estudo, ainda estão recrutando pacientes.
Se você conhece pacientes com câncer que possam estar interessados em participar deste estudo, faça contato no email abaixo.
Julie.vanderlinden@odisee.be
Se você está interessado em saber mais sobre essa pesquisa, visite o site do projeto: https://www.odisee.be/onderzoeksprojecten/welzijns...
Dr. Julie Vanderlinden (PhD)
Julie é chefe do laboratório de pesquisa "Intervenções de Estilo de Vida" na Universidade Odisee de Ciências Aplicadas e é pesquisadora voluntária no Pain in Motion. Sua pesquisa foca nos efeitos de intervenções comportamentais, de estilo de vida e não farmacológicas em diversos aspectos do bem-estar mental, como sono, estresse e resiliência. Além da pesquisa, Julie é envolvida no ensino de diferentes programas de saúde. Ela também atua como terapeuta do sono em uma clínica médica em Mechelen. Sua paixão é capacitar pacientes, educar profissionais de saúde e incentivar formuladores de políticas a promover hábitos de sono saudáveis de forma geral.
Considere encaminhar essa mensagem em grupos ou para pessoas que vivam com dor crônica e nesse caso pessoas vivendo com câncer. Elas poderão ajudar a construir ciência e intervenções que possam colaborar na qualidade de vida de pessoas vivendo com câncer .
Todas as informações aqui são checadas e alinhadas com a Moderna Ciência da Dor, para além de conter
meus dados pessoais, o que significa que estou mostrando meu rosto e reafirmando meu compromisso com as boas práticas.
Sei que em geral as pessoas não leem muito, mas sigo nessa missão de escrever toda semana para vocês.
👨🏾🔬 Igor Caio Santana de Andrade - CREFITO/4-171996F
🔬 Fisioterapeuta
🎓 Mestre pela UFVJM
💼 Clínico da dor
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*#032 - Boletim semanal Resenha-dor*
*A Prescrição Social: Por Que Devemos Prestar Atenção ao Ambiente Social e ao Apoio das pessoas vivendo com dor crônica?*
A American College of Lifestyle Medicine (ACLM) destaca a importância da conexão social como um dos pilares essenciais para intervenções de estilo de vida no tratamento de condições crônicas. Esse pilar, junto com outros como nutrição, atividade física, gerenciamento do estresse, sono reparador e a evitação de substâncias de risco (como tabaco e álcool), desempenha um papel crucial na promoção da saúde. A conexão social inclui relacionamentos significativos e um senso de comunidade, impactando de forma significativa a saúde física, mental e emocional. Pesquisas mostram que conexões sociais fortes podem reduzir o estresse, melhorar a função imunológica e contribuir para melhores resultados em condições como doenças cardíacas, diabetes e depressão.
Ao integrar o apoio social nos planos de tratamento, adotamos uma abordagem mais completa, que considera tanto os aspectos biológicos das doenças crônicas quanto o bem-estar emocional e psicológico dos pacientes. Essa estratégia multidimensional reconhece que a saúde é influenciada por uma combinação complexa de fatores físicos, mentais e sociais. Formas de apoio social incluem grupos de apoio, envolvimento familiar, programas comunitários e relacionamentos terapêuticos com profissionais de saúde. Esses elementos ajudam os pacientes a desenvolver estratégias de enfrentamento, aderir aos tratamentos e manter a motivação. Além disso, a criação de redes sociais fortes pode aliviar sentimentos de isolamento e ansiedade, comuns em doenças crônicas. Ao proporcionar um ambiente de apoio, os profissionais de saúde podem aumentar a resiliência dos pacientes, promover escolhas de estilo de vida mais saudáveis e, em última análise, melhorar os resultados clínicos.
No contexto da dor crônica, níveis mais elevados de apoio social percebido estão associados a uma menor intensidade da dor, menos depressão e melhores estratégias de enfrentamento. Redes sociais de apoio incentivam mecanismos eficazes de enfrentamento, ajudando as pessoas a gerenciar a dor de maneira mais eficiente. O apoio social pode incluir a assistência de cuidadores, que ajudam os pacientes a manter sua autonomia e um senso de conexão. Além disso, o apoio social pode melhorar tanto a saúde física quanto a psicológica em pacientes com dor crônica e atenuar os efeitos negativos do estresse nos resultados de saúde. Funciona como um escudo contra o impacto adverso da injustiça percebida na interferência da dor, sugerindo que uma rede social forte pode ajudar as pessoas a enfrentar os desafios associados à dor crônica, potencialmente reduzindo a interferência da dor nas atividades diárias.
No entanto, nem todo apoio social é benéfico. Respostas solicitantes de cônjuges ou parceiros que incentivam a redução da atividade física podem levar a uma piora na função física, embora possam melhorar o bem-estar psicológico. Em resumo, incorporar estratégias de apoio social no manejo da dor crônica é essencial para melhorar a adesão ao tratamento, reduzir os níveis de incapacidade e aumentar os resultados gerais. Educar os pacientes com dor crônica sobre como acessar os tipos mais úteis de apoio social, em vez de apoio condicional, pode melhorar os resultados positivos a longo prazo. Uma abordagem multidisciplinar, que combina apoio emocional, tangível, informacional e de avaliação de uma rede social forte, é a mais eficaz na redução da gravidade da dor crônica e na melhora do bem-estar geral.
Considere encaminhar essa mensagem em grupos ou para pessoas que vivam com dor crônica.
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*#033 - Boletim semanal Resenha-dor*
*DOR CRÔNICA: O CÉREBRO NÃO ENTENDEU O RECADO*
Lisa Feldman Barrett, uma renomada neurocientista e psicóloga conhecida por suas pesquisas inovadoras sobre emoção, cérebro e mente, compartilha ideias fascinantes em seu livro "How Emotions are Made: The Secret Life of the Brain" ("Como as Emoções São Feitas: A Vida Secreta do Cérebro"). Neste texto, destacarei alguns pontos chave de seu livro que podem ser muito relevantes para fisioterapeutas quem atuam em quadros de dor crônica, bem como outros profissionais e até mesmo pacientes.
Lisa Feldman Barrett explica que o papel mais importante do nosso cérebro não é apenas pensar, sentir ou imaginar. Na verdade, a principal função do cérebro é controlar nosso corpo, gerenciando nossos recursos de energia (um processo chamado alostase) para que possamos realizar movimentos de maneira eficiente e garantir nossa sobrevivência.
Embora nosso cérebro também pense, sinta e imagine, todas essas capacidades mentais são consequências de sua missão central: manter-nos vivos e saudáveis, administrando o que Barrett chama de "orçamento corporal". Isso significa prever as necessidades energéticas do nosso corpo para que possamos viver uma vida mais longa e saudável.
Nosso cérebro faz previsões quase sobre tudo o que fazemos.
Como aqueles antigos faraós egípcios mumificados, o cérebro passa a eternidade em uma caixa escura e silenciosa. Ele aprende sobre o mundo ao seu redor indiretamente, através de informações que chegam na forma de luz, vibrações e substâncias químicas que se transformam em imagens, sons, cheiros, etc. O cérebro deve decifrar o significado desses sinais, e sua principal pista são nossas experiências passadas. Assim, preso dentro do crânio e usando apenas essas experiências como guia, o cérebro faz previsões. Essas previsões são simulações de sensações e movimentos, que depois são comparadas às informações sensoriais reais que vêm do mundo. Se as previsões estão corretas, elas se tornam nossa experiência. Se não estão, o cérebro precisa resolver os erros e fazer ajustes.
Quando ocorre um erro de previsão, nosso cérebro tem três opções: pode mudar suas previsões para se adequar aos dados, selecionar apenas os dados que confirmam suas hipóteses ou ignorar completamente os dados, mantendo suas previsões como realidade.
O cérebro não só prevê os estímulos que vêm do mundo exterior, como visões, cheiros, sons e toques, mas também prevê os movimentos e sensações internas do corpo, algo conhecido como interocepção.
A "rede interoceptiva" do cérebro tem duas partes principais:
Regiões de controle do corpo: Também conhecidas como circuito límbico visceromotor, essas regiões são os principais responsáveis por prever e controlar o ambiente interno do corpo, como acelerar o batimento cardíaco.
Regiões sensoriais primárias: Essas regiões preveem as sensações que resultam dessas previsões, como a sensação de pulsação no peito após o aumento do batimento cardíaco.
As regiões de controle do corpo desempenham um papel vital em nos manter vivos. Cada vez que o cérebro move qualquer parte do corpo, gasta recursos de energia. Reabastecemos esses recursos comendo, bebendo, dormindo ou relaxando. Para gerenciar tudo isso, o cérebro precisa prever constantemente as necessidades energéticas do corpo, como se fosse um orçamento.
Normalmente, nosso "orçamento corporal" flutua ao longo do dia.
Mas quando o cérebro faz previsões ruins, esse "orçamento" pode sair do equilíbrio. Um desequilíbrio de curto prazo não é motivo de preocupação, mas quando se torna prolongado ou crônico, pode causar problemas de saúde, como inflamações. A inflamação no cérebro pode alterar sua capacidade de regular adequadamente esse orçamento, aumentando a chance de que ele continue desequilibrado. Esse desequilíbrio crônico pode abrir caminho para várias doenças, como diabetes, doenças cardíacas e até câncer, de acordo com Lisa Feldman Barrett.
A dor crônica parece ser um caso trágico de previsões incorretas e dados enganosos do corpo.
As regiões de controle do corpo podem enganar o cérebro, fazendo-o acreditar que ainda há dano nos tecidos, mesmo após a cura. O cérebro então faz previsões desnecessárias de dor e ignora os sinais sensoriais que contradizem essas previsões. Em outras palavras, o cérebro ignora a entrada sensorial e insiste que suas previsões são a realidade.
Em resumo, a visão de Lisa Feldman Barrett sobre a dor crônica destaca a importância de considerar os processos preditivos do cérebro, bem como o contexto psicológico e social mais amplo, ao entender e gerenciar experiências de dor. Sua perspectiva desafia a visão tradicional da dor como um fenômeno puramente sensorial e enfatiza a necessidade de abordagens interdisciplinares que integrem insights da neurociência, psicologia e ciências sociais.
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*#034 - Boletim semanal Resenha-dor*
*O PODER CURATIVO DA RESPIRAÇÃO: EXPLORANDO EXERCÍCIOS DE RESPIRAÇÃO PROFUNDA PARA O CONTROLE DA DOR*
No agito da vida moderna, é fácil esquecer a importância da respiração. No entanto, por séculos, diversas culturas ao redor do mundo reconheceram os benefícios terapêuticos dos exercícios de respiração profunda. Neste texto, vamos explorar o poder da respiração no controle da dor, oferecendo uma abordagem holística para o bem-estar que aproveita o poder curativo da respiração.
A dor é uma experiência universal que pode se manifestar de várias formas e intensidades. Seja aguda ou crônica, física ou emocional, a dor pode afetar significativamente nossa qualidade de vida. Abordagens convencionais muitas vezes dependem de medicamentos ou intervenções médicas, mas há uma alternativa complementar que aproveita a capacidade natural do corpo para a cura: os exercícios de respiração profunda.
*A Ciência por Trás dos Exercícios de Respiração*
Os exercícios de respiração não são apenas uma forma de relaxamento; eles têm uma base fisiológica importante. Ao entender como as técnicas de respiração afetam o sistema nervoso autônomo, podemos apreciar plenamente seu impacto no nosso bem-estar.
O sistema nervoso autônomo regula funções automáticas do corpo, como batimentos cardíacos e digestão, e é composto por dois componentes principais: o sistema nervoso parassimpático e o simpático. Os exercícios de respiração têm o poder de modular esses sistemas e trazer o corpo para diferentes estados.
Respirações lentas e profundas ativam o sistema nervoso parassimpático, conhecido como o sistema "descansar e digerir". Quando este sistema é ativado, o ritmo cardíaco diminui, os músculos relaxam e a digestão melhora, levando a uma sensação de calma e bem-estar.
*COMO FAZER*
*Encontre uma Posição Confortável*: Sente-se ou deite-se em uma posição confortável, como faria em um exercício de respiração profunda regular.
*Inspire Lenta e Profundamente*: Comece inspirando lenta e profundamente pelo nariz, permitindo que o abdômen se expanda ao respirar. Tente encher os pulmões completamente, mas sem forçar. Conte a duração da sua inspiração, talvez até quatro ou cinco, conforme seja confortável para você.
*Segure a Respiração*: Após inspirar completamente, segure a respiração por um breve momento, contando até um ou dois. Não se esforce; apenas faça uma pausa rápida.
*Expire Lenta e Prolongadamente*: Agora, comece a expirar lentamente pela boca. Enquanto expira, prolongue a duração da expiração, tornando-a mais longa do que a inspiração. Você pode contar até seis, sete ou até oito enquanto expira. O segredo é fazer a expiração mais lenta e prolongada do que a inspiração.
*Repita o Processo*: Continue esse padrão de inspirações lentas e profundas seguidas de expirações ainda mais lentas e prolongadas. Foque na sensação da respiração entrando e saindo do corpo, tentando manter um ritmo relaxado.
*Perceba as Sensações*: Preste atenção em como seu corpo e mente respondem à expiração prolongada. Você pode notar uma sensação mais profunda de relaxamento ou uma maior liberação de tensão em comparação com a respiração profunda padrão.
*Pratique Regularmente*: Como qualquer exercício de respiração profunda, a prática é essencial para dominar essa técnica. Tente incorporá-la à sua rotina diária, especialmente em momentos de estresse ou quando precisar acalmar a mente.
Pesquisas científicas descobriram que a respiração ritmada (ou pacing breathing - PB) pode reduzir a dor, especialmente quando realizada a uma taxa mais lenta, de 6 respirações por minuto, com uma expiração prolongada. A redução da dor durante a respiração guiada provavelmente envolve fatores como atenção, expectativas, alívio do estresse e controle emocional, em vez de mudanças cardiovasculares. Estudos futuros devem explorar mais esses mecanismos psicológicos. Além disso, são necessárias pesquisas mais amplas com diversos tipos de dor, um maior número de participantes para analisar as diferenças entre sexos, e estudos em grupos de pacientes para validar e expandir essas descobertas.
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*#035 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Entendendo os Tipos de Dor: Nociceptiva, Neuropática e Nociplástica*
A dor é uma experiência complexa e pode ser classificada em diferentes tipos: nociceptiva, neuropática e nociplástica. Cada tipo de dor tem características específicas e é importante reconhecê-las para proporcionar o melhor tratamento ao paciente.
*Dor Nociceptiva*
Este tipo de dor ocorre quando há um dano nos tecidos, como músculos ou articulações, por exemplo. Um exemplo comum é a dor causada por uma torção no tornozelo ou uma inflamação. A dor nociceptiva é, geralmente, mais fácil de identificar e tratar com analgésicos comuns ou anti-inflamatórios.
*Dor Neuropática*
A dor neuropática, por outro lado, é causada por lesões ou disfunções no sistema nervoso. Ela pode ocorrer em casos como a síndrome do túnel do carpo ou a dor que surge após quimioterapia. Essa dor pode ser descrita como uma sensação de queimação ou choque elétrico, e é mais difícil de tratar, frequentemente exigindo medicamentos específicos para o sistema nervoso.
*Dor Nociplástica*
A dor nociplástica é um conceito mais recente e envolve uma alteração na maneira como o cérebro processa a dor, mesmo sem uma lesão evidente ou inflamação. Ela é comum em condições como fibromialgia e dor lombar crônica. Esse tipo de dor é persistente e pode ser mais desafiador de tratar, muitas vezes exigindo uma abordagem multidisciplinar que inclui fisioterapia, psicoterapia e intervenções médicas.
*Importância da Fenotipagem da Dor*
*Fenotipagem da dor* significa classificar a dor de acordo com essas categorias (nociceptiva, neuropática ou nociplástica). Isso é crucial porque ajuda os profissionais de saúde a escolherem as melhores estratégias de tratamento para cada tipo de dor. No passado, essas categorias não eram tão bem definidas, mas com o tempo, pesquisadores e clínicos têm desenvolvido critérios mais precisos para identificar o tipo de dor que cada paciente experimenta.
Estudos recentes mostram que identificar corretamente o tipo de dor pode melhorar significativamente o tratamento. Por exemplo, o trabalho de 2021 do grupo de Fisioterapeutas de Bruxelas fornece critérios detalhados para classificar a dor nociplástica, e em 2016 um outro grupo (ão me recordo de onde agora) apresentam um sistema atualizado para classificar a dor neuropática.
É sempre importante dizer que a dor é uma experiência pessoal e complexa. Entender os diferentes tipos de dor e como eles são classificados ajuda a fornecer um cuidado mais eficaz e personalizado. Continuar a pesquisar e refinar esses critérios é essencial para melhorar o tratamento da dor no futuro.
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*#036 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Uma Nova Abordagem no Tratamento da Dor Crônica: Intervenções Multimodais de Estilo de Vida*
Nos últimos 20 anos, temos estudado o papel dos sistemas nervoso central e imunológico em pacientes com dor crônica. No início, não imaginávamos o enorme impacto que a *ciência da dor* teria em nossa profissão e no cuidado com pacientes que sofrem de dor. No entanto, a ciência da dor continua evoluindo, e os profissionais da saúde ainda enfrentam dificuldades para aplicar esses conhecimentos na prática clínica.
Essa realidade inspirou o *Comitê Editorial da Revista Brasileira de Fisioterapia*, uma das principais publicações na área de reabilitação, a dedicar uma série editorial à ciência da dor na prática clínica. A série intitulada *"Gestão Abrangente da Dor"* tem como objetivo ajudar na implementação da ciência da dor na prática clínica e facilitar que profissionais de saúde em todo o mundo ofereçam intervenções multimodais de estilo de vida, adaptadas individualmente, para pacientes que sofrem de dor crônica. Em particular, a série editorial promove uma mudança de paradigma, deixando de focar apenas nos tecidos e doenças e passando a adotar intervenções de estilo de vida personalizadas para pacientes com dor crônica .
*Contribuições de Pesquisadores Reconhecidos*
A série conta com contribuições de pesquisadores de destaque, como Paul Hodges, Tomohiko Nishigami, Rob Oostendorp e Lorimer Moseley. Em apoio ao movimento global de ciência aberta, a Revista Brasileira de Fisioterapia disponibiliza todos os artigos da série em acesso aberto, permitindo que qualquer pessoa possa acessá-los gratuitamente, qualquer pessoa mesmo, incluindo você. Afinal e contas a sua saúde é de sua responsabilidade.
*Visão Geral da Série Editorial*
O primeiro artigo da série introduz essa nova abordagem, refletindo sobre a revolução global na ciência da dor e a mudança de um modelo focado em tecidos e doenças para um *modelo de intervenções de estilo de vida personalizadas* .
No segundo artigo, há uma atualização dos termos relacionados à *sensibilização central e dor do tipo nociplástica* (ex: fibromialgia), de forma que possam ser aplicados na prática clínica.
O terceiro artigo explica por que a *fenotipagem da dor (ou seja, a identificação dos tipos de dor, como nociceptiva, neuropática ou nociplástica)* é importante, e para quais pacientes essa abordagem pode ser útil. Ele também orienta como os profissionais de saúde podem diferenciar esses tipos de dor e adaptar o tratamento de acordo .
O quarto artigo apresenta como os profissionais de saúde podem considerar diferentes fatores de estilo de vida para *desenvolver uma intervenção multimodal personalizada* para pessoas com dor crônica, explicando cinco passos essenciais nesse processo .
O quinto artigo discute o papel da *educação em ciência da dor* para facilitar essa abordagem de estilo de vida no manejo da dor crônica. Ele destaca a importância de promover *uma comunicação eficaz*, como a entrevista motivacional, para incentivar a mudança de comportamento antes, durante e após a educação sobre a dor .
O sexto artigo aborda a importância de considerar *distúrbios do sono* como parte de uma intervenção multimodal personalizada para pessoas com dor crônica .
Por fim, o sétimo artigo discute o papel emergente da *gestão do estresse* em pacientes com dor crônica, sugerindo formas de integrar essa prática na rotina clínica .
*Próximos Temas da Série*
Os próximos artigos da série irão abordar:
*Terapia com exercícios para pacientes com dor persistente (previsto para junho de 2024);* (já já de sair para eu colocar detalhes para vocês)
*Intervenções dietéticas e nutricionais* para pacientes com dor persistente (previsto para agosto de 2024);
*Epigenética e estilo de vida* como a biologia molecular de uma abordagem multimodal de estilo de vida para pacientes com dor persistente (previsto para novembro de 2024).
Profissionais da saúde ao redor do mundo, vamos nos unir e combater a pandemia de dor crônica, adotando essas novas práticas de tratamento que colocam o paciente no centro de uma abordagem personalizada e multimodal.
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*#037 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Vamos nos Conectar: A Importância da Comunicação Centrada na Pessoa no Tratamento da Dor*
A dor é uma experiência desagradável, complexa e subjetiva, que exige uma *abordagem centrada na pessoa* para ser bem gerida. Na área da saúde, a comunicação centrada na pessoa muitas vezes é subestimada no tratamento da dor. Mas essa forma de comunicação vai além da simples coleta de informações: ela é fundamental para entender melhor o paciente e criar uma aliança crucial entre o profissional de saúde e o paciente. A habilidade de realmente ouvir e compreender a história única da dor de cada paciente é essencial para um tratamento eficaz. *Os conceitos principais de Carl Rogers oferecem valiosas orientações para promover essas conexões significativas*.
*O Papel da Aliança Terapêutica*
A aliança terapêutica é uma *PARCERIA* colaborativa baseada em confiança, respeito mútuo e comunicação aberta, e desempenha um papel fundamental no cuidado com a saúde. Um ambiente que promove sentimentos de respeito, compreensão e apoio fortalece os esforços colaborativos, essenciais para o progresso terapêutico. Pesquisas mostram consistentemente que a relação terapêutica tem um impacto significativo nos resultados do tratamento. Carl Rogers, um pioneiro na psicoterapia, introduziu o conceito das Condições Básicas para a *Terapia Centrada na Pessoa*, que são três elementos fundamentais dessa relação terapêutica.
*As Condições Básicas de Rogers*
As três condições básicas que Carl Rogers identificou em sua terapia centrada na pessoa são: *aceitação incondicional, empatia e congruência*.
*Aceitação Incondicional*
Criar um ambiente de aceitação é fundamental no tratamento da dor. Pacientes com dor crônica muitas vezes carregam o peso do ceticismo, medo e frustração. Oferecendo aceitação incondicional, os profissionais de saúde criam um espaço seguro para que os pacientes expressem seus pensamentos e emoções sem serem julgados. Essa aceitação promove confiança e abertura, elementos cruciais na relação terapêutica.
*Empatia*
A empatia envolve a capacidade de entender e compartilhar os sentimentos do outro. No manejo da dor, reconhecer o impacto emocional da dor crônica é tão importante quanto tratar os sintomas dolorosos. Quando os profissionais de saúde validam a experiência do paciente, reforçam a ideia de que sua dor não apenas é reconhecida, mas também compreendida em um nível profundo.
*Congruência*
A congruência refere-se à autenticidade e à abertura do terapeuta, expressando sentimentos e pensamentos genuínos dentro da relação terapêutica. Isso significa que *o terapeuta é transparente e honesto*, contribuindo para uma conexão autêntica e de confiança com o paciente.
*Comunicação Centrada na Pessoa*
As condições básicas propostas por Rogers servem como atitudes fundamentais ("ser") que abrem caminho para o desenvolvimento de habilidades de comunicação centradas na pessoa. Essas habilidades podem incluir aspectos como fazer perguntas abertas, ouvir de forma reflexiva, reconhecer sinais não verbais, entre outros. Há pesquisas sobre exemplos de comunicação centrada na pessoa para recomendações em relação o cuidado ideal da dor musculoesquelética. Como conclusão dessas pesquisas temos que *"para alcançar um cuidado de alta qualidade na dor, devemos focar não apenas no que fazemos, mas também em como fazemos".*
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*#038 - Boletim semanal Resenha-dor*
*A Intensidade da Dor Ainda é o Padrão Ouro para Medir a Dor?*
Talvez esse seja um texto bastante técnico, mas tentarei escrevê-lo de uma forma que todos possam entender. Ao tomarem ciência de como isso funciona, você terão condições de cobrarem melhor dos profissionais de saúde que lidam com dor.
A experiência de dor é algo profundamente pessoal e pode ser interpretada de maneiras diferentes por cada pessoa, especialmente em casos de dor crônica. Mesmo sabendo disso, muitos profissionais de saúde especializados em dor e pesquisadores ainda utilizam medidas simplificadas, como a intensidade da dor (QUANTO DÓI, A MAGNITUDE DA DOR), para avaliar o estado de saúde dos pacientes.
A intensidade da dor pode ser relatada de várias formas, como por meio de relatos escritos, visuais ou verbais. As escalas mais usadas para medir a intensidade da dor crônica são a Escala Numérica (NRS), a Escala Visual Analógica (VAS), a Escala Verbal (VRS) e a Escala de Faces Revisada (FPS-R). As escalas mais populares são a VAS e a NRS. Na NRS, o paciente avalia sua dor em uma escala de 0 (sem dor) a 10 (a pior dor imaginável). Já a VAS usa uma linha de 10 cm onde o paciente marca a intensidade da sua dor.
Por vezes, os resultados de uma escala são convertidos para outra. Em um estudo com 366 pacientes com dor crônica, descobriu-se que as pontuações da VAS e da NRS nem sempre concordam. Isso significa que a discordância entre as pontuações dessas escalas não pode ser explicada por estarem medindo informações diferentes. Essa discrepância questiona seriamente o valor das pontuações de intensidade da dor como padrão ouro na avaliação de dor crônica e dificulta a comparação direta entre diferentes escalas.
Dado o amplo impacto da dor crônica no dia a dia dos pacientes, sugere-se uma avaliação menos restrita, que combine conceitos como a interferência da dor, funcionalidade, qualidade de vida relacionada à saúde, uso de medicamentos, satisfação do paciente, entre outros. Essas informações podem ser combinadas em um escore composto, que serviria como medida de desfecho para avaliar a dor crônica, assim sugerem os trabalhos mais modernos. Isso só é possível se o profissional de saúde estiver de fato interessado em ouvir o paciente, com calma, empatia e abertura para acolher.
Os escores compostos reúnem vários aspectos em uma única medida, proporcionando uma avaliação mais abrangente e, possivelmente, mais relevante clinicamente do que uma simples pontuação de intensidade da dor. Nos últimos anos, o uso de medidas compostas aumentou significativamente, oferecendo uma avaliação mais detalhada do impacto da dor nos pacientes.
Entretanto, é válido questionar o valor das pontuações de intensidade da dor e dos escores compostos à luz da ciência da dor de precisão. Esse conceito se baseia em métodos que avaliam cada paciente individualmente, identificam o perfil de risco para a presença de dor desproporcional e/ou desenvolvimento de dor crônica, e otimizam o tratamento para abordar processos patológicos específicos. Talvez o uso de medidas compostas, que incluem avaliações subjetivas auto-relatadas, seja um primeiro passo em direção à uma ciência de precisão para dor, mas ainda pode ser uma simplificação. Esperemos por mais resultados de pesquisas.
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*#039 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Deixados de Lado: A Dor Nociplástica Ainda Não Está Totalmente Classificada*
A dor nociplástica, que envolve uma alteração no processamento sensorial, não é caracterizada apenas por uma sensibilidade exagerada. Mas o que acontece com as pessoas que sentem uma dor persistente e generalizada, acompanhada de dormência e perda de sensibilidade, em vez de hipersensibilidade? Como classificamos aqueles que não apresentam alodinia (dor causada por estímulos que normalmente não causam dor, como um toque leve) ou hipersensibilidade ao calor ou frio, e que também não apresentam sinais de hiperpátia (uma resposta exagerada à dor) ou somação temporal (aumento da dor após estímulos repetidos)? Muitas vezes, esses pacientes têm dor que não é predominantemente nociceptiva (dor causada por danos nos tecidos) nem neuropática (dor causada por danos nos nervos). Eles se encaixam nos critérios atuais da IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor) para dor nociplástica, exceto nos testes de hipersensibilidade. No entanto, os testes sensoriais revelam uma hipossensibilidade em vez de hipersensibilidade.
Essa hipossensibilidade sensorial pode aparecer em uma região específica, como a lombar, ou de forma mais ampla, geralmente unilateral, afetando o braço e a perna do mesmo lado.
Estudos mostram que a hipossensibilidade sensorial é comum em condições como fibromialgia, síndrome complexa de dor regional, distúrbios neurológicos funcionais e síndrome do chicote (lesão por aceleração-desaceleração do pescoço) (Rehm et al., 2010; Egloff et al., 2012; Malfliet et al., 2015; Stone e Vermeulen, 2016). O trabalho de Egloff et al. (2012) demonstrou hipossensibilidade unilateral em pessoas com fibromialgia, dor lombar crônica e síndrome de dor musculoesquelética crônica após lesão aguda, usando testes sensoriais quantitativos. Estudos anteriores (Mailis et al., 2003; Mailis-Gagnon e Nicholson, 2010, 2012) descrevem esse fenômeno como déficits somatossensoriais não dermatomais (NDSDs), definidos como "hipoestesia inexplicável (por exemplo, perda de sensibilidade cutânea ou de outras modalidades sensoriais) no mesmo lado da dor, que não se conforma à distribuição de nervos periféricos ou dermátomos" (Mailis-Gagnon e Nicholson, 2012).
De acordo com os critérios atuais de dor nociplástica (IASP 2021), pacientes com dor persistente e hipossensibilidade sensorial, que não apresentam alodinia ou hiperpátia, ficariam sem classificação, mesmo que atendam aos outros critérios, como sensibilidade à dor relatada e comorbidades associadas à dor nociplástica (distúrbios do sono, fadiga e dificuldades cognitivas). Isso pode levar a um diagnóstico incorreto ou à falta de tratamento adequado.
Por que alguns indivíduos desenvolvem NDSDs? Uma possível explicação é que o processamento sensorial alterado, associado à dor nociplástica, pode ser influenciado por características individuais de hipossensibilidade sensorial que já estavam presentes antes da dor (Brown et al., 2002). A hipossensibilidade sensorial foi encontrada em populações antes do início da dor, como em pessoas neurodivergentes (Bijlenga et al., 2017; Cadely, 2018), pessoas com ansiedade e tendências de automutilação (Cummins et al., 2021) e indivíduos com síndrome das pernas inquietas (Stiasne-Kolster et al., 2013). Essa hipossensibilidade pré-existente também pode ser um preditor de sintomas de sensibilização central em populações com dor lombar crônica (Clark et al., 2019).
Outro fator possível para a hipossensibilidade sensorial são comportamentos psicológicos dissociativos. A dissociação de uma parte do corpo pode ser mais comum em indivíduos que sofreram traumas, seja antes ou após a dor musculoesquelética. Esses indivíduos podem emocionalmente se distanciar da parte do corpo dolorida, o que pode inibir a percepção sensorial. As causas da perda sensorial em pessoas com dor persistente não neuropática e não nociceptiva ainda não são bem compreendidas.
Abordagens de tratamento diferentes são necessárias para indivíduos com NDSDs, em comparação com aqueles que apresentam hipersensibilidade sensorial (Mailis et al., 2017). Diferenças importantes nas abordagens de tratamento não farmacológico podem ser baseadas na predominância da hipervigilância em relação à área dolorida (como na hipersensibilidade sensorial) versus tendências dissociativas em relação à área dolorida (como na hipossensibilidade sensorial). Essas observações clínicas precisam ser mais investigadas em pesquisas formais.
Conclusão
A hipossensibilidade sensorial em condições de dor persistente foi relatada há 20 anos, mas ainda não é reconhecida no atual algoritmo de classificação clínica da dor nociplástica. Muitos pacientes com dor não nociceptiva e não neuropática permanecem sem classificação. É necessário mais pesquisa para entender esse fenômeno e trabalhar na inclusão de indivíduos com hipossensibilidade sensorial predominante, ou NDSDs, nos critérios de dor nociplástica. Dessa forma, o melhor tratamento pode ser determinado, evitando que indivíduos com dor persistente não neuropática e não nociceptiva fiquem sem diagnóstico e tratamento adequado.
Considere encaminhar essa mensagem em grupos ou para pessoas que vivam com dor crônica.
Todas as informações aqui são checadas e alinhadas com a Moderna Ciência da Dor, para além de conter
meus dados pessoais, o que significa que estou mostrando meu rosto e reafirmando meu compromisso com as boas práticas.
Sei que em geral as pessoas não leem muito, mas sigo nessa missão de escrever toda semana para vocês.
👨🏾🔬 Igor Caio Santana de Andrade - CREFITO/4-171996F
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*#040 - Boletim semanal Resenha-dor*
*O Impacto do Suporte Social na Atividade Física de Sobreviventes de Câncer*
Cerca de um em cada quatro sobreviventes de câncer continua a sentir dor mesmo após o término do tratamento. Ao estudar a dor crônica entre esses sobreviventes, fica claro que a atividade física desempenha um papel vital em aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Cada vez mais, vemos iniciativas que promovem a atividade física durante e após a reabilitação do câncer, como o "1000 km contra o câncer" ou a escalada do Monte Ventoux com o Think Pink. É ótimo ver essas iniciativas que ajudam a criar uma rotina de exercícios, porque *a maior dificuldade em manter a atividade física é a adesão*. Muitos obstáculos dificultam o começo e a manutenção de uma rotina regular de exercícios. Existem vários aspectos a considerar, mas aqui vou focar no aspecto social da atividade física.
Quando perguntamos aos sobreviventes sobre o que os ajuda a manter a prática de exercícios, muitos destacam a importância do apoio social.
Imagine ter um amigo torcendo por você durante um treino ou participar de um grupo onde todos compartilham a mesma jornada. Esse senso de companheirismo faz com que a atividade física se torne mais do que uma tarefa; ela se transforma em uma experiência compartilhada. Estar entre outras pessoas que passaram por experiências semelhantes ajuda a se sentir mais à vontade ao iniciar um novo hábito. Um ambiente seguro para se exercitar pode ser criado com grupos de apoio que compartilham experiências semelhantes, além de instrutores que entendem a reabilitação do câncer.
Claro, o apoio social vai além do ambiente de exercício. Ele também inclui o suporte da comunidade: família, amigos, parceiros e até mesmo profissionais de saúde. Um apoio social positivo contribui para a motivação, tornando mais fácil para os sobreviventes se manterem comprometidos com seus planos de exercícios. No entanto, a dinâmica social não é sempre simples.
Embora o apoio positivo possa ser uma força motivadora, influências negativas também existem. O controle social é diferente do apoio social, pois o controle envolve normas ou expectativas que influenciam ou regulam o comportamento de uma pessoa na sociedade. Por exemplo, o motivo pelo qual não mastigamos de boca aberta ou nos vestimos adequadamente para ir ao trabalho é resultado de regras sociais. No contexto dos sobreviventes de câncer, a ideia de que "você precisa descansar, ir com calma" pode ser um motivo pelo qual eles não se envolvem em atividades físicas. Além disso, o controle social, seja intencional ou não, pode afetar a autonomia dos sobreviventes e criar certa resistência. Pode ser muito desmotivador quando outra pessoa tenta controlar a forma como você se exercita, tirando a autonomia do indivíduo.
Reconhecer essas nuances é crucial para nós, que fazemos parte da rede social dos sobreviventes de câncer, seja como pesquisadores ou como clínicos da dor. Isso nos leva a desenvolver intervenções que aproveitem os aspectos positivos do apoio social e também abordem e minimizem os desafios potenciais, criando um ambiente positivo e de suporte. Não existe uma solução única para todos quando se trata de projetar e apoiar a atividade física. Mais uma vez, a necessidade de uma abordagem individualizada no manejo da dor se torna central.
Vou terminar este texto com uma citação inspiradora:
“Se você quer ir rápido, vá sozinho. Se você quer ir longe, vá junto.”
Considere encaminhar essa mensagem em grupos ou para pessoas que vivam com dor crônica.
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*#041 - Boletim semanal Resenha-dor*
*A Importância do Sono no Controle da Dor*
Nossas escolhas de estilo de vida e de trabalho estão contribuindo para a normalização de noites mal dormidas com uma grande quantidade de pesquisas que mostram como uma boa qualidade de sono está ligada a um humor mais positivo, melhor aprendizado, consolidação de memórias e recuperação física. Por outro lado, dormir mal traz consequências importantes para nossa saúde, especialmente para pessoas com condições musculoesqueléticas e dor crônica .
Estudos científicos apontam que dormir mal pode reduzir nosso limiar de dor, perpetuar a dor e até mesmo fazer com que a dor localizada se espalhe para outras áreas do corpo . Recentemente, pesquisas indicaram que a relação entre sono e dor é bidirecional, ou seja, problemas no sono podem se elementos de prever o surgimento de dores futuras do que o contrário .
A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é ofertada para insônia crônica, pois é comprovadamente eficaz em melhorar a qualidade do sono . Além disso, essa terapia traz benefícios moderados para a depressão, ansiedade . A TCC-I pode ser feita em grupo ou individualmente, inclusive de forma online, e inclui educação sobre o sono, mudanças comportamentais como higiene do sono, controle de estímulos, restrição do tempo na cama e terapia cognitiva ao longo de sete semanas. No entanto, embora a TCC-I seja eficaz na melhora do sono, seus efeitos sobre a dor em pacientes com dor são pequenos ou inexistentes . Isso pode ocorrer por causa do componente de "restrição do tempo na cama" da TCC-I. Embora essa prática seja efetiva, ela pode ter efeitos negativos sobre a dor, já que a redução do tempo total de sono pode aumentar a sensibilidade à dor e a intensidade da dor . Em pacientes com insônia primária, a dor e o desconforto também são efeitos colaterais relatados da TCC-I . Além da insônia, outros distúrbios como: pernas inquietas, apneia obstrutiva do sono e sonolência excessiva durante o dia, também podem afetar na dor crônica .
Em resumo, a relação entre sono e dor é complexa e exige mais estudos. É claro que há uma necessidade de intervenções mais eficazes e personalizadas para tratar essa relação de comportamento de quem sofre de dor crônica e problemas de sono.
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*#041 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Meu Corpo Precisa de Proteção, Agora Mesmo?*
Antes de entrarmos no assunto principal deste texto, gostaria que você observasse a imagem de duas mesas. Para a maioria das pessoas, uma das mesas parece mais longa e fina do que a outra. No entanto, a verdade é que as duas mesas têm exatamente o mesmo tamanho, tanto em comprimento quanto em largura. Para os céticos, peguem uma régua e meçam por si mesmos!
Essa ilusão visual, conhecida como Ilusão das Mesas de Shepard, é apenas uma das muitas ilusões sensoriais que distorcem nossa percepção da realidade. *Mas por que as mesas parecem tão diferentes?* A resposta simples é que o que vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos, etc., não é uma reflexão pura da realidade. Em vez disso, tudo o que percebemos é influenciado pelo que está acontecendo no mundo ao nosso redor e dentro do nosso corpo no momento, pelo que esperamos perceber (tanto consciente quanto inconscientemente), e pelas consequências que uma determinada percepção pode trazer. *Em outras palavras, nossa percepção da realidade é uma mistura do que está acontecendo agora, do que já aconteceu no passado, e do que pode acontecer no futuro*.
*Curiosamente, a dor não é uma exceção a essa ideia*. Recentemente, descobriu-se que a dor não reflete apenas o estado dos nossos tecidos, como a presença de danos reais ou iminentes. Em vez disso, a dor pode ser uma percepção da necessidade de proteger o corpo, ou como foi formulado por Harvie e Moseley em seu livro recente, uma resposta interna (inconsciente) à pergunta "Meu corpo precisa de proteção, agora mesmo?". Por isso, perguntas como "Quando a dor vai aparecer e quando não vai?", "Quão intensa será a dor?" e "Quanto tempo vai durar?" não podem ser respondidas apenas olhando para um raio-X, um exame de sangue ou realizando um teste físico. As respostas dependem do contexto em torno da dor, incluindo aspectos do passado, presente e futuro relacionados a ela.
Um exemplo bem conhecido que demonstra a importância do contexto para a dor é um caso relatado em 1995 no British Medical Journal, uma importante revista científica. Esse relato fala de um construtor de 29 anos que, ao final de um dia de trabalho, pulou de uma escada e caiu sobre um prego de 12 cm, que atravessou sua bota. Sentindo uma dor excruciante, o construtor foi levado ao hospital. Mas quando os médicos removeram a bota, descobriram que o prego havia passado entre os dedos dos pés, sem causar dano algum. Nesse exemplo, o contexto do acidente claramente sugeria um grave dano no pé, mas, na realidade, o pé estava em perfeito estado. A dor que o homem sentiu não estava relacionada ao estado real do seu pé, mas apenas ao contexto ao redor do acidente. *E REALMENTE O HOMEM SENTIU DOR.*
Outro exemplo, muito mais comum, de quando a experiência de dor não reflete necessariamente o estado real da região do corpo onde a dor está localizada, é a dor crônica. Quando uma pessoa entra em um estado de dor crônica, a dor que ela sente muitas vezes não está associada a sinais de dano real ou iminente aos tecidos. Portanto, muitos pesquisadores (embora não todos) concordam com a ideia de que a dor crônica pode refletir uma resposta exagerada de proteção do corpo. Em outras palavras, a pergunta feita para mim mesmo "Meu corpo precisa de proteção, agora mesmo?" é mais frequentemente respondida com "Muito provavelmente sim" do que com "Muito provavelmente não".
*Por que isso é importante saber?*
Porque ao se perguntar conscientemente a mesma pergunta sugerida por Harvie e Moseley sempre que sentir dor, especialmente se essa dor já dura há muito tempo, você pode perceber que, na verdade, não há um perigo real, ou ameaça de perigo, para reagir. Em outras palavras, embora sua mente inconsciente possa ter respondido "Muito provavelmente sim" à pergunta "Meu corpo precisa de proteção, agora mesmo?", sua resposta consciente pode ser "Muito provavelmente não". Isso pode não fazer sua dor desaparecer. No entanto, pesquisas mostraram que focar nos aspectos positivos da dor, como suas propriedades não prejudiciais, pode realmente reduzir tanto a intensidade quanto o desconforto da dor. Explicar para um paciente que aquela dor não é algo gravíssimo ou que trará prejuízos como a invalidez certamente ajudam na diminuição da intensidade da dor. Mas, talvez mais importante, isso pode lhe dar coragem para viver sua vida como você deseja, mesmo quando a dor está presente, porque você sabe que o que está fazendo não é realmente prejudicial.
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*#042 - Boletim semanal Resenha-dor*
Explorando a Ligação Entre Zumbido Crônico e Sensibilização Central
Você já ouviu um zumbido nos ouvidos após uma noite de festa ou depois de um show barulhento? Se sim, você não está sozinho. Esse fenômeno é chamado de tinnitus e afeta uma grande parte da população mundial. Cerca de 10% das pessoas experimentam tinnitus crônico (que dura mais de 3 meses) . No entanto, apesar da alta prevalência, ainda há muito a ser descoberto sobre suas causas e tratamentos eficazes.
O tinnitus crônico muitas vezes acompanha outras condições de dor crônica, como dor na mandíbula , dor de cabeça e dor no pescoço . Curiosamente, o tinnitus crônico e a dor crônica compartilham várias semelhanças, como a sensibilidade aumentada a estímulos sensoriais , mudanças em áreas específicas do cérebro e associações com fatores psicológicos, como estresse, ansiedade e depressão . Fatores de estilo de vida, como níveis de atividade física e distúrbios do sono, também estão associados tanto à dor crônica quanto ao tinnitus .
Essa conexão levou pesquisadores a sugerirem uma hipótese: a sensibilização central — um fenômeno já observado em várias condições de dor crônica — pode também desempenhar um papel no tinnitus crônico. Um estudo inicial sobre esse tema trouxe evidências que apoiam essa ideia . Pacientes com tinnitus crônico relataram mais sintomas indicativos de sensibilização central (usando o Inventário de Sensibilização Central) em comparação com indivíduos saudáveis. Eles também mostraram maior sensibilidade a estímulos mecânicos locais. Resultados semelhantes foram encontrados em um grupo de controle com apenas dor crônica no pescoço.
Notavelmente, essas características foram mais acentuadas em pacientes que sofriam tanto de tinnitus crônico quanto de dor crônica no pescoço. Esses indivíduos não apenas relataram mais sintomas de sensibilização central, mas também exibiram hipersensibilidade generalizada a estímulos mecânicos em comparação com pacientes com apenas tinnitus ou controles saudáveis. Essas descobertas não foram observadas em um grupo de controle com apenas dor crônica no pescoço. Tanto os pacientes com tinnitus crônico e dor no pescoço quanto o grupo de controle com apenas dor crônica no pescoço relataram maior carga psicológica e pior qualidade do sono em comparação com os controles saudáveis.
Embora ainda haja muito a ser descoberto sobre a associação entre tinnitus e sensibilização central, esses achados abrem possibilidades empolgantes para futuras pesquisas e intervenções clínicas. Ao identificar dor crônica (especialmente no pescoço) e sinais de sensibilização central em pacientes com tinnitus crônico, podemos encontrar um caminho importante para melhorar os resultados do tratamento.
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*#043 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Uma Nova Pandemia de Dor Crônica à Vista? COVID Longa Afeta Milhões de Pessoas*
Em 2020, o mundo enfrentava a COVID-19, e muitos países adotaram medidas de isolamento e restrições. Quatro anos depois, essas medidas restritivas não são mais necessárias para nos proteger do vírus, mas você sabia que milhões de pessoas (entre 65 a 144 milhões) ainda vivem em isolamento ou sob restrições devido à infecção por COVID-19? Essas pessoas sofrem da COVID Longa.
O que é COVID Longa?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a COVID Longa é definida como a continuação ou o surgimento de novos sintomas três meses após a infecção inicial por COVID-19, com esses sintomas persistindo por pelo menos dois meses, sem outra explicação. Mais de 200 sintomas já foram relatados, mas os mais comuns incluem fadiga, dor de cabeça, problemas cognitivos, dor crônica nas articulações e músculos, e perda do olfato. Todos esses sintomas têm um grande impacto na qualidade de vida. A COVID Longa é uma doença incapacitante e deixa alguns pacientes confinados em casa ou até mesmo acamados. Essas pessoas ainda vivem como se estivessem em isolamento, pois muitas vezes estão muito doentes para sair de casa ou viver como antes da infecção por COVID-19.
Semelhanças com ME/CFS (já já explico)
Um grupo de pacientes com COVID Longa apresenta os mesmos sintomas clínicos que aqueles com Encefalomielite Miálgica/Síndrome da Fadiga Crônica (ME/CFS). Estudos recentes indicam que aproximadamente metade dos pacientes com COVID Longa atende aos critérios para ME/CFS. Os sintomas que se sobrepõem incluem fadiga, problemas cognitivos, mal-estar pós-esforço e dor crônica nas articulações e músculos. Além das semelhanças clínicas, também foram descritas semelhanças biológicas. Por exemplo, tanto a COVID Longa quanto a ME/CFS são caracterizadas por anormalidades no sistema nervoso central e autônomo, no sistema imunológico e no metabolismo energético. Como a ME/CFS, a COVID Longa afeta predominantemente mulheres. Além disso, em um grupo de pacientes com ME/CFS, o início da doença ocorreu após uma infecção viral, assim como acontece com a COVID Longa.
Estamos realmente diante de uma nova pandemia?
A verdade é: ainda não sabemos. Como a COVID Longa é uma doença relativamente nova, ainda não podemos afirmar como será a recuperação a longo prazo. Um estudo relatou que 85% dos pacientes com COVID Longa ainda apresentavam sintomas um ano após a infecção aguda. Isso é consistente com o que sabemos sobre a ME/CFS, da qual muitos pacientes nunca se recuperam totalmente. Portanto, é esperado que a COVID Longa aumente drasticamente o número de pessoas sofrendo de dor crônica e ME/CFS em comparação aos tempos pré-COVID-19. Assim, a COVID Longa provavelmente terá um impacto duradouro na sociedade e na economia global devido aos custos diretos e indiretos relacionados a essas condições. É necessário mais pesquisa para entender melhor os mecanismos patofisiológicos subjacentes à COVID Longa e, eventualmente, desenvolver tratamentos eficazes, para que a qualidade de vida melhore e, assim, o fardo social e econômico diminua.
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*#044 - Boletim semanal Resenha-dor*
*O Papel da Inflamação Sistêmica em Condições Musculoesqueléticas Crônicas*
Várias condições crônicas que afetam os músculos e articulações são caracterizadas por dor e alterações nos tecidos conjuntivos. Tradicionalmente, o tratamento dessas condições se concentra em processos regionais, considerando que as lesões têm origem local. Nesses casos, a inflamação local inicia mecanismos de adaptação e reparação dos tecidos, seguidos por processos regenerativos para restaurar a composição e função normais. No entanto, em algumas dessas condições, como dor lombar, dor no ombro e síndrome complexa de dor regional, foi descoberta a presença de inflamação sistêmica, que pode desempenhar um papel no desenvolvimento ou na persistência da condição.
*Como a Inflamação Sistêmica se Desenvolve?*
Sob certas circunstâncias, a capacidade do corpo de eliminar tecidos lesionados pode estar prejudicada. Isso pode alterar os mecanismos regulatórios e fazer com que a inflamação local se torne persistente e até sistêmica. Outra possibilidade é que os ciclos de lesão e reparo sejam muito frequentes, impedindo a completa resolução da inflamação. Assim, a inflamação pode se espalhar para tecidos anteriormente não lesionados. Respostas inflamatórias sistêmicas não resolvidas podem influenciar o ambiente inflamatório em tecidos saudáveis, ativando respostas inflamatórias locais em regiões previamente não afetadas.
*Relação Bidirecional entre Inflamação Sistêmica e Local*
Há uma relação bidirecional entre inflamação sistêmica e local, o que pode explicar o aumento da fibrose nos tecidos musculoesqueléticos. O uso excessivo crônico de músculos e tendões pode aumentar os níveis sistêmicos de *citocinas pró-inflamatórias*. Alterações inflamatórias foram observadas em tecidos locais e até em músculos distantes não relacionados, destacando a possível influência dos mediadores sistêmicos. Alterações semelhantes foram encontradas em condições não musculoesqueléticas, sugerindo que as vias inflamatórias são semelhantes em diferentes tipos de condições.
*Fatores Associados à Inflamação Sistêmica*
A inflamação sistêmica pode estar presente devido a vários fatores. Em distúrbios musculoesqueléticos, a resolução incompleta da inflamação, causada por mecanismos alterados que regulam as respostas inflamatórias ou por ciclos persistentes de lesão e reparo, é um deles. Comorbidades como diabetes mellitus e doenças cardiovasculares também estão frequentemente associadas à inflamação sistêmica.
Além disso, fatores psicossociais e estilo de vida estão ligados à inflamação sistêmica. Por exemplo, o estresse pode desregular o sistema imunológico e desencadear inflamação sistêmica. O estresse e a inflamação compartilham caminhos semelhantes, ambos ligados ao *sistema nervoso simpático* e ao *eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal)*. A ativação do sistema nervoso simpático resulta na regulação de citocinas pró-inflamatórias e, consequentemente, no aumento da inflamação sistêmica.
Outro fator de estilo de vida que modula a inflamação sistêmica é o *sono*. O sono ajuda na recuperação de inflamações, regulando, entre outros, o sistema nervoso simpático e o eixo HPA. A perturbação do sono pode alterar o equilíbrio inflamatório, ativando a resposta ao estresse e/ou vias de sinalização inflamatórias. Outros fatores de estilo de vida relacionados à inflamação sistêmica incluem atividade física, consumo de álcool e fumo.
*Importância de uma Abordagem Integral*
*A maioria das mudanças inflamatórias relacionadas aos fatores psicossociais e de estilo de vida são reversíveis*, o que destaca a importância de considerar distúrbios musculoesqueléticos, incluindo aqueles com dor crônica, de uma perspectiva sistêmica. Isso abre novas oportunidades para investigar a relevância clínica das interações entre inflamação, fatores psicossociais (crenças, emoções) e de estilo de vida, e programas de tratamento inovadores em condições musculoesqueléticas. Por exemplo, a *terapia cognitivo-comportamental* aplicada para tratar a insônia pode reduzir a atividade inflamatória sistêmica. Melhorias no sono estão associadas a uma redução nas concentrações de citocinas circulantes, o que pode impactar positivamente os processos inflamatórios locais.
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*#045 - Boletim semanal Resenha-dor*
*As Palavras Importam! Linguagem a Usar e a Evitar no Manejo da Dor Aguda em Crianças*
A dor aguda é uma experiência comum entre as crianças. Ela é definida como uma resposta fisiológica normal e previsível a estímulos nocivos, como uma doença aguda, trauma ou cirurgia. Geralmente, a dor aguda surge de forma súbita, dura por um tempo limitado e serve como um alerta para evitar danos ou possíveis dados aos tecidos .
Estudos mostram que entre 54% e 88% das crianças que vivem na Bélgica passaram por pelo menos um episódio de dor nos últimos três meses . As dores agudas mais comuns incluem aquelas relacionadas a lesões leves a moderadas e as dores associadas a procedimentos médicos, como as que ocorrem em emergências ou consultórios .
*Tratamento insuficiente da dor*
Infelizmente, *o tratamento inadequado da dor é comum*, especialmente em crianças mais novas, com deficiência cognitiva, ou que vivem em países subdesenvolvidos. Nos últimos anos, iniciativas como a gravação de escalas para medir a intensidade da dor, educação de profissionais (educação em comunicação infantil) e processos de melhoria da qualidade dos serviços em saúde especializados em pediatria ou não têm ajudado a melhorar o tratamento da dor em crianças .
*A importância da linguagem no manejo da dor aguda*
Além dos métodos farmacológicos, a linguagem usada por pais e profissionais de saúde pode ter um impacto significativo no manejo da dor aguda em crianças. De acordo com Dr. Baruch S. Krauss e seu colegas pesquisadores em 2016, a *forma como os adultos falam sobre a dor pode aumentar ou diminuir a ansiedade e o sofrimento das crianças*.
Por exemplo, é comum que os pais, tentando acalmar seus filhos, digam que *"vai ser só uma picadinha"* ou que *"vai doer só um minutinho"*. Embora bem-intencionadas, essas palavras podem ter o efeito oposto e aumentar o medo e a dor da criança. Por isso, é essencial que os pais sejam orientados e preparados antes de qualquer procedimento potencialmente doloroso.
*Dicas de linguagem a usar e a evitar (ao menos tente fazer isso)*
Os profissionais de saúde devem conversar com os pais antes de exames ou procedimentos, longe dos ouvidos da criança, explicando o que vai acontecer e como os pais podem ajudar seu filho a lidar com a situação. É importante ensinar os pais a usar habilidades de enfrentamento baseadas em linguagem (usando palavras e frases adequadas para a idade da criança, incentivo e elogios) e atividades de distração. Deve-se evitar palavras vagas, negativas, desculpas, garantias globais, críticas ou termos que possam assustar.
Cada criança reage de maneira diferente às palavras, então é fundamental escolher a linguagem com cuidado. Ao envolver os pais nessa preparação, eles também se distraem e reduzem sua própria ansiedade, o que ajuda a evitar que essa ansiedade seja transmitida para a criança.
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*#046 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Cuidado Individualizado na Pesquisa Sobre Dor Crônica*
A dor crônica é definida como aquela que persiste por mais de três meses e afeta mais de 20% da população mundial, sendo a principal causa de incapacidade e doença . Apesar de ser tão comum, ainda faltam tratamentos ideais para lidar com essa condição. Nos últimos anos, um grande avanço na pesquisa sobre dor tem sido a busca por tratamentos mais personalizados, onde termos como cuidado estratificado, cuidado combinado, cuidado individualizado, saúde personalizada e saúde de precisão se tornaram cada vez mais populares . Todos esses termos envolvem a ideia de adaptar o tratamento para indivíduos ou grupos específicos. Mas será que todos significam a mesma coisa?
*Diferença entre os Termos*
Embora as definições desses termos ainda estejam em debate, o objetivo principal de todos é otimizar os benefícios do tratamento para cada indivíduo . Vou tentar explicar a diferença entre eles:
*Cuidado estratificado*: As pessoas são divididas em subgrupos com características semelhantes, e todos no mesmo subgrupo recebem o mesmo tratamento baseado nessas características.
*Cuidado combinado*: Também envolve a divisão em subgrupos, mas cada pessoa dentro do subgrupo é avaliada individualmente e recebe um tratamento personalizado.
*Cuidado individualizado*: O foco é aprender sobre o paciente como um indivíduo único e adaptar a intervenção às suas necessidades, habilidades e desejos .
Além disso, a *saúde personalizada* e a *saúde de precisão* também têm muitas semelhanças. O termo "saúde personalizada" é visto como mais antigo e foi substituído por "saúde de precisão", pois a primeira sugeria um tratamento único para cada indivíduo, enquanto a segunda foca em encontrar o tratamento mais eficaz baseado em fatores genéticos, ambientais e no de estilo de vida .
*Apesar dessas tentativas de diferenciação, ainda há muita sobreposição e confusão entre os termos.*
*Conclusão*
Em resumo, no tratamento da dor crônica, não existe uma solução única que funcione para todos. Mas com o cuidado estratificado, combinado e individualizado, podemos garantir que o tratamento seja adaptado para o indivíduo ou subgrupo, e não o contrário. Contudo, mais pesquisas sobre a eficácia do cuidado individualizado ainda são necessárias.
Considere encaminhar essa mensagem em grupos ou para pessoas que vivam com dor crônica.
Todas as informações aqui são checadas e alinhadas com a Moderna Ciência da Dor, para além de conter
meus dados pessoais, o que significa que estou mostrando meu rosto e reafirmando meu compromisso com as boas práticas.
Sei que em geral as pessoas não leem muito, mas sigo nessa missão de escrever toda semana para vocês.
👨🏾🔬 Igor Caio Santana de Andrade - CREFITO/4-171996F
🔬 Fisioterapeuta
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*#047 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Desvendando a Dor Crônica em Sobreviventes de Câncer: O Papel do Sistema Imunológico e do Relógio Biológico*
Com os avanços nos tratamentos, o número de sobreviventes de câncer tem aumentado significativamente. No entanto, muitos desses sobreviventes enfrentam desafios contínuos, como a dor crônica. Estima-se que cerca de 40% dos sobreviventes de câncer sofram com esse tipo de dor, o que impacta profundamente sua qualidade de vida. Inclusive cerca de 52% de pessoas sobreviventes da quimioterapia para câncer de mama sofrerão com dor neuropática no membro superior.
Pesquisas recentes destacam que o sistema imunológico desempenha um papel crucial no desenvolvimento e manutenção da dor crônica relacionada ao câncer. Especificamente, a sinalização de citocinas pró-inflamatórias entre células imunológicas, neuronais e gliais (células do sistema nervoso que não são neurônios) parece ser essencial nesse processo . Quando ocorre lesão tecidual ou nervosa, as células imunológicas são recrutadas para o local, liberando citocinas como IL-6 e TNF-α. Essas citocinas amplificam a resposta imune, enquanto outras, como a IL-10, atuam para manter o equilíbrio nesse ambiente de guerra imune. No entanto, tratamentos contra o câncer podem desregular esse equilíbrio, contribuindo para a dor crônica .
Curiosamente, o relógio biológico do corpo, também conhecido como ciclo circadiano, coordena o sistema imunológico, influenciando os níveis de inflamação ao longo do dia. *Pacientes relatam sentir mais dor e rigidez pela manhã, o que pode estar relacionado ao pico matinal dos níveis de IL-6, exacerbando a inflamação*.
Além disso, estudos indicam que sobreviventes de câncer de mama com preferência por acordar e dormir cedo (conhecidos como cronotipo matutino) podem ser menos vulneráveis à dor em comparação com aqueles que possuem cronotipo intermediário ou noturno . Isso pode ocorrer porque os *cronotipos noturnos têm maior predisposição a estados depressivos e ansiosos*, condições que estão correlacionadas com a dor crônica relacionada ao câncer .
Em resumo, o monitoramento de biomarcadores inflamatórios, como as citocinas, junto com medidas de dor autorrelatadas, pode ajudar a entender melhor os mecanismos subjacentes à dor crônica em sobreviventes de câncer. Considerar a ritmicidade circadiana pode ser um fator adicional valioso na gestão dessa dor.
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*#048 - Boletim semanal Resenha-dor*
*A Cultura Importa na Compreensão da Dor Crônica*
A dor crônica é um problema comum e complexo que afeta tanto a sociedade quanto os indivíduos de maneira significativa. *Suas causas envolvem uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais*. Compreender a dor crônica sob a perspectiva do modelo biopsicossocial é fundamental para desenvolver estratégias eficazes de *tratamento e prevenção*. A educação em neurociência da dor (PNE, na sigla em inglês) é uma intervenção baseada em evidências científicas que leva em conta essa multidimensionalidade da experiência da dor. Essa abordagem ajuda os pacientes a reconceitualizar a dor, entendendo os diversos componentes neurofisiológicos, psicossociais e físicos envolvidos na sua experiência individual de dor.
No entanto, o material existente sobre PNE é limitado em termos de idiomas e contextos culturais. Cada cultura possui crenças distintas sobre o significado, a origem e o papel da dor, o que influencia diretamente como o paciente interpreta e percebe essa experiência. Pesquisas indicam que intervenções comportamentais que são alinhadas às normas e valores de um grupo cultural específico tendem a ser mais eficazes para esse grupo do que as formas originais dessas intervenções. *Portanto, as estratégias de manejo da dor desenvolvidas em um contexto cultural podem não ser entendidas, apropriadas ou eficazes em outro*.
Uma abordagem promissora para o desenvolvimento de material de PNE mais eficaz para diferentes grupos culturais é a adaptação cultural. Isso envolve a modificação sistemática de uma intervenção baseada em evidências científicas para considerar aspectos linguísticos, culturais e contextuais, tornando-a compatível com os padrões culturais, significados e valores do paciente.
Diversos modelos têm sido propostos para guiar essas adaptações culturais, e, embora esses modelos tenham sido desenvolvidos de forma independente, há um consenso considerável entre eles. Um dos modelos iniciais no ano de 2013 sugere quatro estágios de adaptação: (a) coleta de informações, (b) design preliminar de adaptação, (c) testes preliminares de adaptação e (d) refinamento da adaptação.
Futuras pesquisas devem se concentrar não apenas no desenvolvimento de materiais de PNE mais sensíveis culturalmente, mas também na avaliação da eficácia dessas adaptações em comparação com as versões originais.
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*#049 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Entendendo a Importância da Interocepção na Saúde Mental e Física*
*Interocepção* é um *sentido* ligado a capacidade que temos de perceber e interpretar sinais internos do corpo, como fome, sede, dor e batimentos cardíacos. Embora o termo possa parecer técnico, esse sentido é crucial para a nossa saúde e bem-estar. A interocepção influencia como regulamos nossas emoções, nossa saúde mental e até mesmo nossas conexões sociais.
Estudos recentes destacam que a interocepção é fundamental para entender várias condições clínicas, como dor crônica, transtornos alimentares, ansiedade, depressão e insônia. A percepção e o processamento desses sinais internos podem estar alterados em muitas dessas condições, afetando como sentimos e modulamos a dor, tanto no nível cerebral quanto no comportamental. Pessoas vivendo com anorexia, por exemplo, não se enxergam como realmente estão na frente de um espelho. Num ataque de pânico é comum que o paciente sinto o coração pulsar na boca, e naturalmente isso é só uma sensação.
A parte central do sistema interoceptivo fica numa região que tem um nome esquisito lá no cérebr; o *córtex insular anterior*, que recebe informações através de uma rede de fibras nervosas chamada de *fibras C*. Essas fibras detectam uma variedade de sensações no corpo e enviam essas informações para serem processadas pelo cérebro. A forma como interpretamos esses sinais pode ser influenciada por experiências passadas e pelo nosso estado mental atual.
*Como melhorar a interocepção?*
Práticas de mindfulness (atenção plena - um tipo de meditação simples) são eficazes para aumentar a consciência interoceptiva ou seja a consciência de nós mesmos. Estudos mostram que essas práticas podem ativar o córtex insular, o centro interoceptivo do cérebro, melhorando nossa capacidade de perceber e regular essas sensações corporais. Atividades como yoga e meditação são cada vez mais recomendadas como tratamentos para dor crônica, pois ajudam a aumentar a consciência corporal e reduzir a dor.
As maiores mudanças após o treinamento atencional via mindfulness foram vistas na autorregulação, representando a capacidade de *regular o sofrimento psicológico pela atenção à sensação corporal*. O segundo maior aumento após o treinamento de mindfulness foi visto na regulação da atenção, representando a capacidade de sustentar e controlar a atenção para as sensações corporais, boas ou desagradáveis.
Há evidências crescentes de que essas abordagens interoceptivas produzem efeitos funcionais levando a um aumento da *consciência corporal* e uma *diminuição da intensidade da dor* através de um efeito de mudança literalmente da arquitetura do cérebro. Em conjunto, elementos significativos apoiam a associação entre *consciência corporal, manejo da dor e habilidades interoceptivas*.
Em resumo, a interocepção, além de um sentido, é uma área promissora para o desenvolvimento de novos tratamentos para condições de dor crônica (para além de outras condições), oferecendo uma abordagem que integra de facto *mente e corpo*. Embora a dor seja inerentemente uma experiência interoceptiva, essa capacidade ainda não é adequadamente considerada na avaliação e tratamento de pacientes vivendo com dor crônica.
Você sabia que a interocepção era um sentido?
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*#050 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Quebrando o Ciclo da Desinformação: O Papel da Alfabetização em Saúde no Manejo da Dor Crônica*
Alfabetização em saúde refere-se à capacidade de uma pessoa de acessar, entender e usar informações relacionadas à saúde. Isso inclui a habilidade de ler e compreender informações sobre saúde, navegar pelos sistemas de saúde, comunicar-se de maneira eficaz com os profissionais de saúde e aplicar as informações para tomar decisões sobre sua própria saúde. Uma alfabetização em saúde adequada permite que o paciente tome decisões informadas e aja de maneira apropriada, sendo assim um aspecto importante na capacitação e no autogerenciamento do paciente, *permitindo que as pessoas assumam o controle de sua própria saúde*.
Níveis de alfabetização em saúde podem impactar significativamente o manejo da dor. Por exemplo, pesquisas mostram que níveis mais baixos de alfabetização em saúde podem contribuir para o mau uso de opioides (derivados da morfina - tramadol, PACO, Oxicondona, Metadona, etc) e aumentar a experiência de dor em pessoas que sofrem de dor crônica . Dessa forma, intervenções que visam a alfabetização em saúde podem ajudar a abordar o problema da dor e, consequentemente, a crise de saúde pública relacionada aos opioides (sobretudo nos Estados Unidos) . Além disso, pessoas com alfabetização em saúde adequada tendem a apresentar menos medo de se movimentar, um fatorque, quando presente, afeta a intensidade da dor, a qualidade de vida e pode impedir um tratamento eficaz.
*Uma maneira eficaz de melhorar a alfabetização em saúde relacionada à dor é através da educação em neurociência da dor (END)*. A END ajuda as pessoas a entenderem os fatores biológicos, psicológicos e sociais que contribuem para a dor e é baseada na ideia de que conhecimento e compreensão são *ferramentas poderosas no manejo da dor*. Melhorar a alfabetização em saúde é uma parte essencial desse processo. Ao fornecer educação sobre os mecanismos de dor, a END pode ajudar os indivíduos a desenvolver uma melhor compreensão da sua dor e *oferecer ferramentas para gerenciá-la melhor*. Além disso, a END pode ajudar as pessoas a comunicarem-se melhor com os profissionais de saúde e a tomarem decisões informadas sobre suas *opções de tratamento*. Quem ai nunca foi em uma consulta e saiu de lá meio que sem saber bem o que o profissional falou, indicou? É sobre evitar isso que esse texto foi feito.
No entanto, alguém poderia argumentar que baixa alfabetização em saúde pode dificultar a compreensão dos conceitos e da linguagem usados na END, limitando a eficácia da intervenção. Neste contexto, a abordagem centrada no paciente torna-se fundamental para superar esses desafios. É importante *adaptar a END ao nível de alfabetização em saúde do indivíduo*, utilizando *linguagem simples*, *recursos visuais* e outras ferramentas para simplificar conceitos complexos e *tornar a informação mais acessível*. Também pode ser necessário fornecer suporte adicional e recursos para ajudar os indivíduos.
*Dicas para Melhorar a Alfabetização em Saúde em Pacientes com Dor Crônica* (dicas para profissionais da saúde)
*Use linguagem simples*: Evite jargões médicos ou termos técnicos que possam ser desconhecidos. Use uma linguagem simples que seja fácil de entender e explique qualquer termo ou conceito desconhecido.
*Utilize recursos visuais*: Ajudas visuais como diagramas, imagens ou vídeos podem ajudar a explicar informações complexas de maneira mais fácil de entender.
*Divida a informação em partes menores*: Apresentar informações em pedaços menores e mais manejáveis pode ajudar as pessoas a processar e reter as informações de forma mais eficaz.
*Use técnicas de retorno ou demonstração*: Incentive as pessoas a repetir ou demonstrar o que aprenderam para confirmar sua compreensão da informação.
*Considere fatores culturais e sociais*: Leve em conta fatores culturais e sociais que possam impactar a maneira como a informação é recebida e entendida. Barreiras linguísticas, acesso limitado aos cuidados de saúde e diferenças de crenças e valores podem afetar a percepção da informação sobre saúde.
*Envolva familiares ou cuidadores*: Familiares ou cuidadores podem desempenhar um papel importante ajudando indivíduos com baixa alfabetização em saúde a entenderem e navegarem pelas informações sobre saúde.
Os profissionais de saúde podem melhorar a eficácia da educação e da informação em saúde para indivíduos com baixos níveis de alfabetização em saúde. Isso pode levar a melhores resultados de saúde e a uma melhor qualidade de vida para os pacientes. Basta um pouquinho de boa vontade dos profissionais. E você paciente: Não tenha vergonha de pedir para repetir uma informação ou de dizer que não entendeu aquilo.
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*#051 - Boletim semanal Resenha-dor*
*Sono e Dor: Um Ciclo Vicioso*
Você sente dor com frequência? Se a resposta for sim, vale a pena se perguntar: como foi a qualidade do seu sono na noite passada?
A relação entre dor e sono é algo bem documentado, especialmente em pessoas com dor crônica. Estudos mostram que a insônia é prevalente em cerca de 72% dos adultos com dor crônica. Esses pacientes geralmente demoram mais para adormecer, acordam mais vezes durante a noite e passam mais tempo acordados, em comparação com a população geral. Por isso, é essencial que pessoas com dor crônica sejam questionadas sobre a qualidade do sono.
*Como o Sono Afeta a Dor*
A relação entre sono e dor é bidirecional, o que significa que um influencia o outro. Distúrbios do sono podem aumentar a sensação de dor, criando um ciclo vicioso de dor e má qualidade do sono. No entanto, pesquisas indicam que o impacto de um sono ruim sobre o aumento da dor é mais forte do que o impacto da dor sobre a qualidade do sono. Isso significa que, muitas vezes, dormir mal pode piorar a dor no dia seguinte.
Um estudo recente usando ressonância magnética funcional (um exame diferente daquela ressonância comum que todo mundo faz) descobriu que a *privação aguda de sono em indivíduos saudáveis aumenta a reatividade à dor* e reduz a atividade nas áreas do cérebro envolvidas na inibição da dor. Além disso, pessoas que passam por privação de sono relatam sentir dor a temperaturas mais baixas do que quando estão descansadas, o que mostra que a falta de sono pode amplificar a percepção de dor.
*O Papel dos Citocinas Inflamatórias*
O sono também regula a produção de citocinas inflamatórias (são substâncias produzidas por algumas células, e são envolvidas na inflamação), como TNF-α, IL-1β e IL-6. Um aumento na concentração dessas citocinas foi observado em pessoas privadas de sono, o que está associado à dor crônica. Isso é especialmente relevante para condições como a artrite reumatoide, onde a inflamação persistente contribui para a dor.
*Importância de Gerenciar o Sono em Pacientes com Dor Crônica*
Esses mecanismos mostram como o sono e a dor estão intimamente ligados, reforçando a importância de avaliar e gerenciar o sono em pacientes com dor crônica. Hoje, isso é ainda mais importante devido ao aumento das condições de dor crônica e à diminuição do tempo de sono nas últimas décadas.
Cuidar da qualidade do sono pode ser um passo crucial para quem busca aliviar a dor crônica e melhorar a qualidade de vida. Portanto, se você ou alguém que você conhece sofre com dor crônica, é fundamental considerar a qualidade do sono como parte do manejo da dor.
Há diretrizes para higiene do sono e há também uma forma de abordar a insônia que é a Higiene do sono propriamente dita. Quando essas ações falham os psicólogos que trabalham com Terapia Cognitivo-Comportamental devem entrar em ação. Não havendo resultados terapia medicamentosa deve ser aventada por um médico que tenha experiência nesse assunto. IMPORTANTE destacar que pacientes com insônia que iniciam o tratamento pela via medicamentosa, estão iniciando o tratamento pela via errada.
*Eu sei que você conhece alguém com distúrbio de sono que iniciou o tratamento já pela via medicamentosa, não é?*
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